Archive for the ficções Category

Utopia?

Posted in ficções on 2013/04/24 by terrasencantadas

39

 

 

 

“- Segundo a tradição [os governos] foram caindo gradualmente em desuso. Convocavam eleições, declaravam guerras, lançavam impostos, confiscavam fortunas, ordenavam prisões, pretendiam impor a censura e ninguém no planeta lhes obedecia. […] Os políticos tiveram que procurar ofícios honestos […].”

Jorge Luís Borges in “Utopia de um homem que está cansado”, (um conto de) “O Livro de Areia”, Editorial Estampa, pág. 95

Anúncios

A cantar

Posted in ficções on 2013/03/03 by terrasencantadas

04A cantar se têm feito revoluções. Deêm-me o poder das canções, e eu revolverei o mundo. Cantemos!

in Serões da Província,  Júlio Dinis

Superstições – Três contas azuis

Posted in ficções on 2012/07/20 by terrasencantadas

Em Guimarães acreditava-se que para os dentes nascerem sem importunar as crianças, devia colocar-se-lhes ao pescoço três contas azuis.

Cileu

Posted in ficções on 2012/07/14 by terrasencantadas

Cileu atravessou o Durio, iniciando uma viagem sem destino. O deus que servia, Debaroni, incumbira-o de se apoderar da Jóia da Deusa-mãe e de matar o lusitano e os dois jovens galaicos. Não fizera nem uma coisa nem outra. Mas não foi por não o conseguir fazer e sim porque, ao conhecer os três homens, percebeu que as ordens de Debaroni eram injustas. Noutra situação, o seu fracasso levá-lo-ia a entregar a vida ao seu senhor, mas agora questionava-se se um deus capaz de gestos hediondos merecia tal respeito. Encaminhava-se para sul, não para fugir de Debaroni e da sua confraria, mas apenas para se afastar do passado. Se Debaroni quisesse procurá-lo e matá-lo pouco lhe importava e não ofereceria resistência.

A jóia

Posted in ficções, património on 2012/07/10 by terrasencantadas

“A rapariga estava sentada numa pedra, curvada sobre os joelhos, permitindo que a jóia que tinha ao pescoço saísse do vestido e ficasse visível. Tinha forma trapezoidal e metade do tamanho de uma mão. Era toda verde, quase transparente, e na parte mais larga estavam gravadas três faixas de linhas ziguezagueantes. Uma faixa horizontal, preenchida por uma sucessão de traços verticais, separava a parte superior e mais estreita da pedra. Aí, no centro de um triângulo invertido, destacavam-se dois orifícios envolvidos por círculos de onde partiam curtos traços, como se fossem raios de Sol. Esses orifícios, semelhantes a grandes olhos, por onde passava o fio de couro que suspendia a pedra, contribuíam para sugerir a forma de uma coruja estilizada.”

InO VENENO DE OFIÚSA

A jóia referida no excerto anterior, que se revela um elemento central da história narrada em O Veneno de Ofiúsa, foi inspirada nas placas de xisto que abundam no espólio das antas situadas a sul do Mondego. Estas placas são uma característica marcante do megalitismo português e admite-se que representam uma divindade habitualmente chamada de Deusa-mãe.

Personagens de Histórias Perdidas da Lusitânia – Zimbro

Posted in ficções on 2012/07/06 by terrasencantadas

Lobo que Anio encontrou, com poucos meses de vida, abandonado nas montanhas. Criou-o e tornaram-se amigos inseparáveis.

Os Sefes

Posted in ficções, património on 2012/07/02 by terrasencantadas

“Recentemente, após ter assumido a chefia da tribo, Coronero, o pai de Anio, passara a ser visitado frequentemente por Malgenio, rei dos Sefes, um povo mal visto entre os Galaicos devido a antigos conflitos e por se dizer que eram senhores de uma magia poderosa e malévola.”

InO VENENO DE OFIÚSA

Os Sefes são um povo referido em textos da antiguidade, a sua presença na Hispânia terá precedido a dos Galaicos e Lusitanos. Quase nada se sabe sobre eles, no entanto nos povoados proto-históricos do norte de Portugal encontram-se abundantes representações serpentiformes que poderão estar relacionadas com este povo.