A bruxa e o alfinete

Quando ninguém o esperava a bruxa espetou-lhe um alfinete no pescoço. Mais que dor, o alfinete causou uma reacção de espanto no rosto do homem. De imediato a bruxa se afastou dois ou três passos, ficando a olhar para o homem. Em poucos instantes este caiu de joelhos, curvando-se sobre o estômago, como se dores insuportáveis o assolassem. Depois o seu corpo começou a transfigurar-se. Os braços e as pernas definharam, as mãos e os pés encolheram até assumirem a forma de pequenas patas, o corpo adelgaçou-se, deixando cair as roupas que o cobriam.

Mas foi o rosto que sofreu a modificação mais impressionante: os dois maxilares estenderam-se para a frente e deles saíram dentes fortes e aguçados, enquanto o crânio encolhia e tomava uma forma achatada.

Enquanto sofria esta mutação, reagindo com gemidos e gritos de dor, sobre a pele do seu corpo ia crescendo um pelo escuro e curto, mas abundante. E em poucos segundos o homem viu-se transformado num cão de aspecto feroz.

inAS SETE BRUXAS

Pessoas que sofrem mutações em animais por alguém lhes espetar um alfinete na nuca ou nos ouvidos, como acontece neste conto, são um elemento frequente nos contos tradicionais portugueses.

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