Arquivo de Fevereiro, 2012

O Castelo dos Encobertos II

Posted in cenários, ficções, paisagens on 2012/02/29 by terrasencantadas

“ Ao início da noite chegaram à base de um monte no alto do qual distinguiram vagamente, recortado contra o céu escuro, o perfil de uma fortaleza com torres gigantescas e muralhas de uma espessura indizível. Ao longo das encostas estavam amontoadas rochas de dimensões descomunais, redondas e polidas como seixos, com uma altura superior a três homens, que pareciam ter ficado espalhadas ao rebolarem desde o topo do monte.”

Há locais que ficam para sempre gravados na nossa memória, mesmo que esqueçamos a sua localização exacta e não voltemos a visitá-los. Numa viagem pela região de Celorico da Beira passei por um desses locais. Recordo-me apenas que ficava próximo de um marco geodésico e que parecia uma terra de gigantes, onde rochedos de dimensões descomunais se encontravam espalhadas ao longo de uma encosta, como se tivessem rebolado montanha abaixo. Passados uns anos usei a recordação desse sítio como cenário para os livros da série Os Mouros das Terras Encantadas.

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Superstições – Cabeça de Víbora

Posted in mitologia on 2012/02/27 by terrasencantadas

No Alto Minho acreditava-se que nenhum mal acontecia a quem usasse uma cabeça de víbora e que esta dava sorte em tudo.

Devido a esta crença, dizia-se de pessoas com muita sorte: “Aquele traz cabeça de víbora”.

Noutras regiões do país acreditava-se que, para dar sorte, a víbora deveria ser morta, e a sua cabeça arrancada, numa sexta-feira de Março.

Personagens de Os Mouros das Terras Encantadas – Zuleima

Posted in ficções on 2012/02/25 by terrasencantadas

A alcaidessa de Munt Siyun é neta de Ibn al-Abbar e irmã de Brada. Tem por único propósito reforçar o seu poder, não olhando a meios para o conseguir.

Superstições – A missa

Posted in mitologia on 2012/02/23 by terrasencantadas

Se uma pessoa entrar na igreja usando tamancos ferrados com cravos velhos, retirados das ferraduras dos burros, não consegue ouvir a missa.

Dá-se o mesmo fenómeno se a pessoa for à missa sem se ter lavado e, no caso das mulheres, se levarem o lenço da cabeça colocado do avesso. O mesmo sucede a quem chega à igreja a depois da leitura do Evangelho.

Amenhamet e o Homem da Foice

Posted in ficções on 2012/02/21 by terrasencantadas

– Resto apenas eu do grupo de guerreiros que quase matou o Homem da Foice – murmurou o mouro. O seu corpo era grande e os músculos tão inchados que pareciam prestes a rasgar a pele. Porém, os ombros descaídos e a cabeça inclinada sobre o peito, encobriam a imponência do seu porte.

– Contam-se muitas histórias acerca de Amenhamet – observou um dos jovens, céptico.

– E todas são verdadeiras – contestou o mouro. – Ninguém teria imaginação suficiente para conceber o que Amenhamet ousou fazer.

– Passou muito tempo desde a morte do alcaide – insistiu o jovem. – A memória trai-nos ao fim de uns anos.

– Eu estive lá! – exclamou, dando um murro na mesa. – Fui eu quem atraiu o Homem da Foice à vala onde ele caiu. Ouvi o galope pesado do seu cavalo atrás de mim, senti o cheiro pútrido da sua pele. E ouvi os seus grunhidos enraivecidos quando se viu enclausurado pelos dois enormes rochedos que os meus companheiros fizeram tombar sobre a vala.

Os jovens calaram-se, perante a súbita exaltação do velho guerreiro.

– O Homem da Foice nunca conseguiria sair daquele buraco, tal como nós não poderíamos ali entrar. Esquivava-se às nossas flechas e lanças, mas poderíamos tê-lo vencido pelo cansaço e pela fome. Os penedos que selavam o buraco onde o fizemos cair eram demasiado pesados até para ele e nunca sairia dali sem ajuda. Mas quando a noite começou a cair os urros de asinomens ecoaram pelas montanhas, multiplicando-se a cada instante. Em pouco tempo a corria das inúmeras hordas de asinomens fez tremer a terra como se um terramoto nos fosse engolir. Os Senhores do Mal souberam o que acontecera e vieram em auxílio do seu mais fiel servidor.

Superstições – Os escritos

Posted in mitologia on 2012/02/19 by terrasencantadas

Como amuleto contra as bruxas pode usar-se um papel no qual foi escrita uma oração e sobre o qual o padre disse uma missa. O papel deve usar-se dentro de um saquinho e preso por uma linha ao corpo da pessoa. O efeito deste amuleto dura três meses.

No castelo de Zuleima

Posted in ficções on 2012/02/17 by terrasencantadas

Depois de percorrerem os corredores sombrios do palácio de Munt Siyun, o mouro que os guiava abriu a porta de um salão onde se encontrava uma mulher lindíssima. Mas Gamir sabia que muitas vezes a beleza tinha por objectivo ocultar o perigo. A alcaidessa possuía um olhar magnético e uma voz encantatória capaz de enlear até os homens mais experientes. Convidou-os a sentarem-se sobre as grandes almofadas de seda espalhadas em seu redor, sondando o rosto de cada um deles coma acutilância que parecia querer sugar-lhes a alma.