Arquivo de Setembro, 2011

O castelo na seara

Posted in cenários, ficções, paisagens, património on 2011/09/30 by terrasencantadas

“O castelo erguia-se, incara- cteristi- camente, no topo de uma elevação quase imper- ceptível, como se tivesse sido construído com o objectivo de não ser visto, para servir de esconderijo, e estava rodeado de um manto de erva alta e seca. Não se via ninguém.”

O castelo de Valongo está situado alguns quilómetros a norte de Reguengos de Monsaraz. Ergue-se sobre uma pequena elevação e está rodeado por uma seara que barra o acesso à fortaleza. Este castelo, que teve ocupação islâmica, e contexto é insólito em que se enquadra fez dele um cenário incontornável para as aventuras narradas em O Elmo de Cristal.

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Superstições – Para curar um terçolho

Posted in mitologia on 2011/09/28 by terrasencantadas

Para curar um terçolho pega-se em palha de colchão, coloca-se no meio da casa e deita-se-lhe fogo. A pessoa deve passar três vezes por cima da palha, baixando a cabeça para que o fumo chegue ao olho doente. Isto deve ser feito ao longo de três dias, ao fim dos quais a enfermidade desaparece.

A espada de al-Khawf

Posted in ficções on 2011/09/26 by terrasencantadas

Voltaram a ser atacados pela Morsapeltem que agarrou mais um guerreiro, esmagando o cavalo entre as suas garras, e voou arrastando o cavaleiro até uma altura de várias dezenas de metros de onde depois o largou, lançando-o numa queda mortal.

Amenhamet sabia que ia ser morto. Não havia como o evitar, mas podia ainda evitar que a Espada de al-Khawf voltasse a cair nas mãos dos Encobertos. Não tinha tempo para se interrogar sobre como seria morrer. A sua única preocupação era proteger a arma. Tinha de pensar rapidamente numa forma de esconder a arma sem que a multidão que o perseguia se apercebesse disso. Tudo estava a acontecer demasiado depressa. O chão tremia sob o cavalgar enfurecido de milhares de asinomens, o céu vibrava com o voo das bruxas e da Morsapeltem e o ar tornava-se irrespirável devido à concentração de tantos servidores dos Encobertos.

Já não sentia medo, aquele medo irracional que sentira dentro do castelo dos Encobertos, porque sabia que se conseguisse salvar a Espada, naquele que seria o dia da sua morte nasceria uma nova esperança para os povos das Terras Encantadas.

A morte de Amenhamet

Posted in ficções on 2011/09/24 by terrasencantadas

Nesse momento os gritos de Amenhamet rasgaram o ar, ecoando entre as montanhas e atraves- sando a longa distância que os separava. Gritos como nunca ninguém lhe ouvira, nem nos momentos em que sofrera os ferimentos mais dolorosos.

Aqueles gritos, capazes de fazer gelar o mais corajoso dos homens, provocaram em al-Farah um misto de terror e de esperança: terror por imaginar a dimensão do sofrimento que os Encobertos eram capazes de infligir a um homem; esperança por saber que, pela primeira vez, alguém lhes fizera frente.

Personagens de Os Mouros das Terras Encantadas – al-Zaide

Posted in ficções on 2011/09/22 by terrasencantadas

Filho de Mohamed Aben Amid, emir de Xelb, e pai de Zayad Ben Zaide. Usava uma armadura com proprie- dades mágicas que o protegia de feitiços e que o filho viria a herdar. Era um excelente estratega e nunca pensava em recuar quando tinha à sua frente os servos dos Encobertos, mas o que lhe sobrava em coragem e determinação faltava-lhe em prudência e humildade.

Superstições – Para sarar ferimentos

Posted in mitologia on 2011/09/20 by terrasencantadas

Em Trás-os-montes, para sarar golpes, coloca-se erva prende-carne sobre o ferimento: pára a hemorragia e estimula a união dos tecidos. Ainda nesta região, para absorver sangue-pisado toma-se o chá das sete sangrias.

Noutras regiões do país aplicam-se teias de aranha sobre as feridas para as curar.

O Longo Inverno

Posted in ficções on 2011/09/18 by terrasencantadas

Aquele longo Inverno já durava há demasiado tempo. Era um Inverno fora de tempo, sobrenatural, provocado por um poderoso feitiço dos Encobertos. Das muralhas do castelo de al-Jawhar nada mais se avistava para além de um imenso deserto branco. A neve congelava o solo, destruía os pastos e as culturas.

Encontravam-se lobos mortos pela fome, pelo frio e até os ferozes asinomens mostravam dificuldade em resistir a temperaturas tão baixas. As reservas de alimentos já se tinham esgotado em muitas regiões e a morte pairava sobre todos os habitantes das Terras Encantadas. A procura do feitiço que dera origem às alterações climatéricas já custara a vida a muitos mouros, mas se não fosse encontrado e destruído ainda custaria a vida a muitos mais.