Francisco Martins Sarmento

Num artigo publicado por Mário Cardozo na “Revista de Guimarães” (*), é relatada a dedicação com que Francisco Martins Sarmento procurava e se esforçava por proteger os artefactos e monumentos arqueológicos que descobria. Numa época em que a maior parte destes artefactos – quando não eram destruídos – tinham por destino colecções privadas, ele optou por oferecer todos os monumentos e peças que adquiriu ao museu da Sociedade Martins Sarmento, para que mais pessoas tivessem possibilidade de os observar e estudar.

Sempre que não conseguia convencer o proprietário do terreno onde se encontravam os monumentos – tais como penedos com gravuras, antas, ou outras construções pré-históricas – a vender-lho, procurava estabelecer contratos nos quais os donos, a troco de um pagamento, se comprometiam a não os destruir.

As dificuldades de deslocação da época levaram-no a procurar intermediários que o representassem na compra de monumentos situados longe de Guimarães, a cidade onde residia, o que fez com que, algumas vezes, o dinheiro destinado a essas transacções desaparecesse sem que as mesmas se efectuasse.

A sensibilização para a protecção do património, naquela época como hoje, era uma tarefa árdua e muitas vezes infrutífera, surgindo ocasionalmente algumas situações caricatas. Em 1926, já após a morte de Martins Sarmento, a direcção da Sociedade que lhe tomou o nome, enviou cartas aos párocos das localidades mais distantes, pedindo-lhes informações sobre o estado de conservação dos monumentos que eram sua propriedade. Entre as várias respostas, umas amáveis, outras ríspidas, o autor do artigo (*) destaca a carta de um padre que afirma responder de “má vontade” simplesmente porque a Sociedade Martins Sarmento “é de Guimarães”.

Mais sério é o caso de uma denúncia feita pela Sociedade, em 30 de Novembro de 1919, ao presidente da Câmara, dando conta da destruição que estava em curso no Castro de Sabroso, levada a cabo por alguns pedreiros que dali retiravam pedra. A resposta por parte das autoridades a este acto de vandalismo surgiu com tal prontidão que uma acta da sessão camarária de 30 de Dezembro refere continuarem, nessa data, a ser retiradas pedras do Castro.

(*) “Monumentos Arqueológicos da Sociedade Martins Sarmento”, Revista de Guimarães, n.º 60, Guimarães, 1950


 

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