Arquivo de Dezembro, 2010

Castelo de Noudar

Posted in paisagens, património on 2010/12/31 by terrasencantadas

O castelo de Noudar fica totalmente isolado, num alto de onde se avista quase todo o Alentejo e boa parte de Espanha. A paisagem e o silêncio são impressionantes. É quase irreal estar num castelo tão grande e tão deserto. Ali sente-se mais ainda a melancolia do fim de Verão no Alentejo, perante o espaço infinito e despovoado que estende à frente dos olhos.

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FELIZ NATAL

Posted in Uncategorized on 2010/12/24 by terrasencantadas

A Lusitânia

Posted in cenários, ficções on 2010/12/18 by terrasencantadas

As referências mais antigas à Península Ibérica – cenário onde decorre a acção de “O Veneno de Ofiúsa” – encontram-se no poema “Ora Marítima”, de Avieno que, baseando-se em textos Fenícios do séc. VI a.C., nos dá notícia dos primeiros povos que habitaram a Hispânia. Segundo este autor ao ocidente da península chamava-se naquele tempo Estrímnia, por ser habitada pelos Estrímnios. Mais tarde chegaram os Sefes, que expulsaram os Estrímnios e passaram a dominar o território a norte do Sado, ao qual deram o nome de Ofiusa. Perto dos Sefes viviam os Cempsos e os Draganos. A sul do Tejo situava-se o território dos Cinetes ou Cónios e, mais para sudeste, ficava o reino de Tartessos.

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O VENENO DE OFIÚSA – Crítica no blog Floresta de Livros

Posted in notícias on 2010/12/14 by terrasencantadas

“Mesclando História com Mitologia e Fantasia, este livro leva-nos a explorar um tempo antigo da nossa herança. Passado numa época da história ibérica, que eu praticamente desconheço, este livro conseguiu transmitir com bastante interesse a vida dos povos na era pré-romana da nossa terra.

Com personagens interessantes e diversificadas, mas que poderiam ter sido alvo de ainda maior desenvolvimento, acabo por não achar que tal falha seja muito notória, até porque este é apenas o primeiro livro de uma saga. O maior problema que vi, foi a forma como as mulheres foram retratadas, quase todas elas estereótipos (a bruxa má, a donzela em perigo, a deusa boazinha (ficamos sem perceber porque é que ela deixou que “aquilo” acontecesse à Lupia, quando passava  a vida a salvar os dois rapazes)), sendo que a única que escapa a isto é a Castécis.
Já os homens, embora todos guerreiros com o orgulho quase a entupir-lhes o raciocínio, conseguiram criar um leque coeso e diversificado, de onde se destacam Camal, Anio, Lancio e Cileu (não esquecendo o fofinho Zimbro, lobo de serviço).
Gostei também de como o autor fez uso das divindades, que embora não tivessem um papel central, estiveram em grande destaque.

Infelizmente certas personagens sofreram de pouca atenção, já que a maior parte da narrativa estava focada nas batalhas. E neste ponto, que na verdade não chegou a tornar-se monótono mas, que pecou pela exaustiva representação, achei que o autor poderia e deveria ter cortado descrições em prole de um ainda maior desenvolvimento das personagens, as suas motivações e as suas vidas antes da guerra. Certamente que o livro teria ganho com isso.

A escrita do autor consegue ser cativante, e rica, sem ser monótona ou abusiva. Está ao alcance do público-alvo (infanto/juvenil), mas não descura o público mais adulto. Não recorrendo a facilitismos e por isso sendo uma leitura em agradável.

Em suma, um livro que demonstra bem o público-alvo (quanto mais não seja por ter personagens principais adolescentes, e pelo foco nas batalhas), mas que não se fica por aí, conseguindo entreter. Peca por se focar demasiado nas batalhas, mesmo assim não descuidando um certo nível de desenvolvimento das personagens. Gostei muito do uso da história Ibérica, e do uso das divindades. Recomendo aos mais jovens, e aos adultos que gostem da nossa história e que não pretendam que estas leitura seja de uma extrema complexidade, mas que a vejam como um livro interessante.”

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Histórias Perdidas da Lusitânia

Posted in cenários, ficções on 2010/12/08 by terrasencantadas

A acção de Histórias Perdidas da Lusitânia decorre durante a Idade do Bronze, época que precede em alguns séculos as primeiras referências à presença dos Lusitanos na Península Ibérica. Para recriar a vida e os costumes dos povos pré-romanos que habitaram o território de Portugal o autor recorreu às informações que a história, a arqueologia e a linguística nos revelam, mas pretendendo criar um mundo de fantasia permitiu-se alguns anacronismos e outras cedências à imaginação.

Para além disso, uma das fontes usada para a construção desta Lusitânia foi a obra Monarquia Lusitana, escrita no século XVI, por Frei Bernardo de Brito. Trata-se da primeira História de Portugal escrita em língua portuguesa, na qual o autor relata um passado fantástico dos Lusitanos e faz referência a uma pouco credível dinastia de reis ibéricos fundada por Tubal, neto de Noé.

As Histórias Perdidas da Lusitânia contam-nos que os primeiros habitantes da Lusitânia e da Galécia foram os Estrímnios. Nesse tempo estes dois territórios tinham por nome Estrímnia e durante milhares de anos os Estrímnios habitaram-na, protegidos pela Deusa-mãe, que lhes garantia a fertilidade dos campos e dos animais. Não se sabe qual é a origem deste povo, pois é tão antigo que não há memória que registe os acontecimentos dos tempos em que ele surgiu. Da Deusa-mãe receberam o conhecimento que lhes permitiu erguer grandes construções: sepulcros majestosos com que os homenageavam os seus mortos, simulando o retorno ao útero da deusa; e recintos sagrados, nos quais erguiam grandes pedras verticais, de cuja finalidade guardaram segredo.

Um dia, pouco depois do Dilúvio – ninguém sabe como sobreviveram os Estrímnios ao Dilúvio – vindos de leste, chegaram os Sefes, guiados pela sua deusa-serpente, Ofiusa. Estes eram menos numerosos que os Estrímnios, mas os últimos eram um povo de agricultores pacíficos e os Sefes, além de bons guerreiros, possuíam sacerdotes que eram senhores de uma magia malévola e quase exterminaram os Estrímnios, tendo sobrevivido apenas alguns povoados dispersos pelo território que antigamente dominavam.

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História das Terras Encantadas

Posted in cenários, ficções on 2010/12/03 by terrasencantadas

Dizem uns que as Terras Encantadas foram criadas pelos Homens das Pedras Grandes, estando para as Terras Esquecidas como o forro de um casaco. Dizem outros que já existiam e que eles apenas as descobriram e criaram as portas que as ligam ao nosso mundo.

A geografia das Terras Encantadas é a mesma das Terras Esquecidas. Apenas alguns elementos da paisagem estão alterados pelas obras construídas de um e de outro lado. Ainda assim, algumas edificações existem nos dois mundos: pontes, torres, antas e outras construções onde foram encantados mouros, tornam-se portas de entrada para as Terras Encantadas e passam a existir nos dois lados da passagem.

Durante as primeiras incursões às Terras Encantadas, o Povo das Pedras Grandes deparou-se com os temíveis seres que habitavam aquele mundo e, compreendendo a ameaça que eles representavam, deixou de construir os acessos e afastou-se dos que já existiam, passando a erigir as suas povoações em locais elevados e fortificando-as, para garantir alguma segurança no caso dessas criaturas entrarem nas Terras Esquecidas.

Um pequeno grupo decidiu, apesar dos perigos, ir viver para as Terras Encantadas. Foram os primeiros humanos a fixarem-se ali, onde vivem há cerca de três mil anos. Durante quase dois milénios foram os únicos homens provenientes das Terras Esquecidas a habitar aquele mundo. Ao longo desse tempo exploraram-no em viagens discretas, nas quais procuraram observar e conhecer todos os seres com quem partilhavam aquele espaço, sem que estes se apercebessem da sua existência.

Tiveram o cuidado de permanecer afastados dos Encobertos, mas por acreditarem na importância de conhecer os hábitos e os movimentos dos Senhores do Mal, mantiveram sempre uma vigilância discreta sobre o seu território.

Os Encobertos não têm forma definida, cada pessoa vê-os do modo como concebe o reino sobre o qual cada um deles domina: a Morte, o Sofrimento e a Dor. Dizem uns que os Encobertos são uma das anomalias que resultaram da criação das Terras Encantadas. Dizem outros que foram os Encobertos quem as criou, em tempos tão antigos que não existia qualquer outro ser vivo para o poder recordar.

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